Copa 20265 min de leitura·16 de julho de 2026

CEO do Bayer Leverkusen aponta problemas estruturais no futebol alemão

Fernando Carro, CEO do Leverkusen, critica estrutura do futebol alemão após decepção na Copa 2026 e pede reformas na formação de base. Saiba mais.


Fernando Carro expõe as fragilidades do futebol alemão após a Copa 2026

A participação decepcionante da Alemanha na Copa do Mundo de 2026 reacendeu um debate que já vinha ganhando corpo nos últimos anos: o futebol alemão vive uma crise estrutural profunda. Quem trouxe o tema à tona com contundência foi Fernando Carro, CEO do Bayer Leverkusen, um dos clubes mais bem-sucedidos do futebol europeu recente.

Em declarações repercutidas pela Gazeta Esportiva, Carro foi direto ao apontar que os fracassos recentes da seleção alemã em Mundiais não são obra do acaso, mas sim reflexo de problemas estruturais, burocráticos e culturais que se acumularam ao longo dos anos. Para o dirigente, a solução passa por uma revisão ampla e profunda do sistema de desenvolvimento do futebol no país.

O diagnóstico: menos talentos e estrutura defasada

Segundo Carro, a Alemanha ainda é capaz de produzir talentos individuais de alto nível, mas a quantidade de jogadores de elite que emergem do sistema de formação caiu significativamente em comparação com décadas anteriores. O CEO do Leverkusen apontou que essa redução não é coincidência — ela é consequência direta de um modelo de desenvolvimento que não acompanhou a evolução de outros países europeus.

Entre os problemas identificados pelo dirigente, destacam-se:

  • Burocracia excessiva nas federações e nos processos de formação de jovens atletas;
  • Falta de integração entre esporte e educação, o que dificulta a dedicação integral dos jovens ao futebol em idades decisivas;
  • Infraestrutura esportiva defasada, com centros de treinamento que não acompanham os padrões modernos de outros países;
  • Cultura conservadora na abordagem tática e metodológica da formação de base.

Esses fatores, combinados, criam um cenário em que o futebol alemão perde competitividade na formação de novos jogadores, mesmo mantendo uma liga doméstica forte e financeiramente robusta como a Bundesliga.

Os modelos de sucesso: Espanha, França e Inglaterra como referência

Um dos pontos mais relevantes da análise de Fernando Carro é a comparação com outros países europeus que investiram pesadamente na reestruturação de suas bases nos últimos 15 a 20 anos.

O exemplo da França

A França é, talvez, o caso mais emblemático. Após a decepção na Copa de 2002, o país intensificou os investimentos em academias de formação — com destaque para o centro de Clairefontaine — e criou um sistema integrado que conecta clubes, federação e escolas. O resultado foi uma geração de ouro que conquistou a Copa do Mundo de 2018 e se mantém competitiva no mais alto nível.

O modelo francês prioriza a identificação precoce de talentos, a diversidade étnica e cultural como força e o investimento contínuo em treinadores qualificados para as categorias de base.

O caso da Espanha

A Espanha passou por uma revolução semelhante no início dos anos 2000, quando a federação espanhola (RFEF) padronizou uma filosofia de jogo que permeou todas as categorias — da base à seleção principal. O sucesso na Eurocopa 2008, Copa de 2010 e Eurocopa 2012 foi fruto direto desse trabalho de longo prazo, que envolveu academias como La Masia (Barcelona) e a estrutura do próprio Real Madrid.

A transformação da Inglaterra

A Inglaterra, por sua vez, investiu bilhões de libras na reformulação de suas academias após anos de fracassos internacionais. O programa Elite Player Performance Plan (EPPP), lançado em 2012, transformou a formação de base no país e gerou uma safra de jogadores que levou a seleção inglesa a finais de Eurocopa e a campanhas consistentes em Mundiais.

Carro destacou que esses três países têm em comum o investimento contínuo e de longo prazo, algo que a Alemanha deixou de priorizar após o título mundial de 2014.

Um técnico não resolve tudo: a questão Jürgen Klopp

Outro ponto abordado por Carro diz respeito à possível chegada de Jürgen Klopp ao comando da seleção alemã. O CEO do Leverkusen reconheceu que Klopp seria uma figura extremamente positiva — pela capacidade de liderança, pelo conhecimento tático e pela identificação com o futebol alemão. No entanto, fez questão de ressaltar que nenhum treinador, por mais competente que seja, consegue sozinho resolver problemas de natureza estrutural.

Essa é uma reflexão importante e que se aplica a diversas seleções ao redor do mundo. A história do futebol internacional mostra que as grandes potências que se mantêm competitivas são aquelas que investem em sistemas — e não dependem exclusivamente de indivíduos.

"Um grande técnico pode potencializar o que existe, mas se a base de formação não entrega jogadores em quantidade e qualidade suficientes, o trabalho será sempre limitado", resumiu Carro, de acordo com a reportagem.

A mensagem é clara: antes de pensar em quem comandará a seleção em campo, a Alemanha precisa repensar toda a cadeia que forma os jogadores que vestem a camisa nacional.

O que a Alemanha precisa mudar na prática

Com base nas declarações de Fernando Carro e na análise dos modelos bem-sucedidos de outros países, é possível traçar um roteiro do que o futebol alemão precisa reformular:

  1. Modernização dos centros de treinamento — Investir em instalações de ponta para as categorias de base, com tecnologia de análise de desempenho e condições que atraiam os melhores jovens talentos.

  2. Integração esporte-educação — Criar programas que permitam aos jovens atletas conciliar a formação acadêmica com o desenvolvimento esportivo, sem que um prejudique o outro.

  3. Formação e valorização de treinadores de base — Garantir que os melhores profissionais não atuem apenas nos times profissionais, mas também nas categorias formadoras.

  4. Redução da burocracia federativa — Simplificar processos e dar mais autonomia aos clubes e centros de formação para inovar em metodologias.

  5. Planejamento de longo prazo — Estabelecer metas e indicadores de desempenho que vão além dos resultados imediatos da seleção principal, focando no volume e na qualidade dos jogadores formados.

Conclusão: uma crise que pode ser oportunidade

As declarações de Fernando Carro são um alerta importante não apenas para o futebol alemão, mas para qualquer nação que deseja se manter competitiva no cenário internacional. A Alemanha, tetracampeã mundial, tem história, recursos e capacidade institucional para promover as mudanças necessárias. O que falta, segundo o CEO do Leverkusen, é vontade política e visão de longo prazo.

A decepção na Copa de 2026 pode ser o catalisador que o futebol alemão precisava para iniciar uma transformação profunda. Se as lições dos modelos francês, espanhol e inglês forem absorvidas e adaptadas à realidade alemã, não há razão para que o país não volte a figurar entre os favoritos em grandes competições.

Se você se interessa por análises aprofundadas sobre o futebol mundial e os bastidores das grandes seleções, continue acompanhando nossos conteúdos. Compartilhe este artigo com quem também acompanha de perto os rumos do futebol internacional.

Posts relacionados