Infantino aposta na Copa de 2026 para ampliar poder na Fifa
Gianni Infantino mira reeleição na Fifa e usa a Copa de 2026 ampliada para 48 seleções como vitrine política. Entenda os bastidores dessa estratégia.

A Copa de 2026 como peça-chave na estratégia política de Infantino
A Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, no México e no Canadá, representa muito mais do que um evento esportivo grandioso. Para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, o torneio ampliado para 48 seleções é uma aposta central na consolidação do seu poder dentro da entidade — e, consequentemente, no caminho para uma possível reeleição.
Desde que assumiu a presidência da Fifa em 2016, Infantino tem promovido mudanças estruturais significativas no futebol mundial. A expansão da Copa do Mundo, aprovada ainda em 2017, é talvez a mais emblemática delas. O formato ampliado, que passará de 32 para 48 seleções, promete incluir mais países no maior palco do futebol, democratizando o acesso ao torneio. No entanto, por trás dessa narrativa de inclusão, há uma complexa teia de interesses políticos que merece atenção.
Expansão para 48 seleções: inclusão ou cálculo político?
A ampliação do número de participantes na Copa do Mundo é, sem dúvida, uma das decisões mais debatidas na história recente do futebol. Defensores argumentam que mais vagas significam mais oportunidades para federações menores, especialmente da África, da Ásia e da Oceania, regiões historicamente sub-representadas no torneio.
E é justamente nesse ponto que reside parte da estratégia de Infantino. Na estrutura de governança da Fifa, cada federação nacional tem direito a um voto nas eleições presidenciais — independentemente do tamanho do país ou da relevância de sua seleção no cenário competitivo. Ao ampliar o acesso à Copa do Mundo, Infantino fortalece sua base de apoio entre as federações menores, que passam a enxergar benefícios concretos de sua gestão.
Por outro lado, críticos apontam riscos reais:
- Diluição da qualidade técnica: mais jogos entre seleções com grande diferença de nível podem reduzir o interesse do público em determinadas partidas.
- Calendário sobrecarregado: o aumento no número de jogos impacta diretamente clubes e jogadores, que já enfrentam uma agenda extenuante.
- Questões logísticas: sediar uma Copa em três países simultaneamente, com um número recorde de partidas, é um desafio operacional sem precedentes.
Essas preocupações não são meramente teóricas. Clubes europeus e sul-americanos já manifestaram insatisfação com a sobrecarga de competições, e sindicatos de jogadores têm alertado sobre os riscos à saúde física e mental dos atletas.
Críticas à gestão e o debate sobre os preços
Além da expansão do torneio, a gestão de Infantino na Fifa tem sido alvo de questionamentos em diversas frentes. Uma das mais recentes diz respeito aos preços dos ingressos e pacotes de hospitalidade para a Copa de 2026. A realização do evento nos Estados Unidos, em particular, levanta preocupações sobre a acessibilidade financeira para torcedores de países em desenvolvimento — justamente o público que a ampliação do torneio pretende incluir.
Há também críticas relacionadas à transparência na tomada de decisões dentro da Fifa. A escolha das sedes, a distribuição de recursos entre as confederações e os contratos comerciais são temas que frequentemente geram controvérsia. Infantino, por sua vez, costuma rebater essas críticas destacando o crescimento das receitas da Fifa e os investimentos em programas de desenvolvimento do futebol ao redor do mundo.
Outro ponto sensível envolve questões geopolíticas. A Fifa, sob a liderança de Infantino, tem navegado por terrenos delicados — desde a realização da Copa de 2022 no Catar, cercada de polêmicas sobre direitos humanos e condições de trabalho, até as relações com governos e federações de países envolvidos em conflitos internacionais. Cada decisão nesse campo carrega implicações políticas que podem fortalecer ou enfraquecer a posição do presidente.
O horizonte da reeleição e os cenários possíveis
Com a Copa de 2026 se aproximando — o torneio está previsto para acontecer entre junho e julho de 2026 —, Infantino deve usar o evento como uma grande vitrine de sua gestão. Se o torneio for bem-sucedido em termos de organização, público e receitas, o presidente terá argumentos sólidos para buscar a reeleição com ainda mais força.
Historicamente, presidentes da Fifa que entregaram Copas do Mundo bem-sucedidas tenderam a consolidar suas posições. Joseph Blatter, antecessor de Infantino, manteve-se no cargo por quase duas décadas em parte graças à sua habilidade em cultivar apoio entre federações menores — uma estratégia que Infantino parece ter estudado e aperfeiçoado.
No entanto, o cenário não é de unanimidade. Algumas federações europeias mantêm reservas em relação ao estilo de gestão de Infantino, e movimentos por maior transparência e governança dentro da Fifa continuam ativos. A forma como o presidente lidará com essas pressões nos próximos meses pode ser determinante.
Entre os cenários possíveis, destacam-se:
- Copa bem-sucedida + apoio consolidado: Infantino se cacifa como favorito absoluto à reeleição, com base ampla entre federações de todos os continentes.
- Problemas organizacionais ou polêmicas: eventuais falhas na logística do torneio ou novas controvérsias políticas podem abrir espaço para candidaturas alternativas.
- Pressão por reformas: independentemente do resultado da Copa, a demanda por mudanças na governança da Fifa pode ganhar força e influenciar o processo eleitoral.
O que está em jogo para o futebol mundial
Para além das ambições pessoais de Infantino, a Copa de 2026 representa um momento de inflexão para o futebol mundial. O formato ampliado será testado pela primeira vez, e seus resultados — esportivos, financeiros e culturais — definirão os rumos das próximas edições do torneio.
A questão central permanece: a expansão da Copa do Mundo serve genuinamente ao desenvolvimento do futebol global, ou é, antes de tudo, uma ferramenta política a serviço de quem comanda a Fifa? A resposta provavelmente está em algum ponto entre esses dois extremos, e só o desenrolar dos acontecimentos trará maior clareza.
Acompanhe nosso blog para ficar por dentro de todas as análises e bastidores da Copa de 2026 e do cenário político do futebol mundial. O torneio mais aguardado da década se aproxima, e cada detalhe pode fazer a diferença na sua compreensão do jogo dentro e fora dos campos.
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