Copa 20265 min de leitura·05 de junho de 2026

Menos de 30% dos americanos se interessam pela Copa 2026

Pesquisa revela que menos de 30% dos adultos americanos têm interesse na Copa do Mundo 2026. Entenda os motivos e o impacto para o torneio nos EUA.


Menos de 30% dos americanos se interessam pela Copa do Mundo 2026: o que isso significa para o torneio?

A menos de duas semanas para o início da Copa do Mundo de 2026, uma pesquisa divulgada em 2 de junho trouxe um dado que chama a atenção: menos de 30% dos adultos americanos demonstram interesse no torneio. O número surpreende, especialmente considerando que os Estados Unidos são um dos três países-sede da competição, ao lado de México e Canadá.

A Copa 2026 está prevista para começar em 11 de junho de 2026 e promete ser a maior edição da história, com 48 seleções participantes e jogos espalhados por diversas cidades norte-americanas. Mesmo assim, o futebol — ou soccer, como é chamado nos EUA — ainda enfrenta barreiras culturais significativas no país que receberá a maior parte das partidas.

O contexto cultural: por que o futebol ainda não conquistou os EUA?

Para entender esse percentual relativamente baixo de interesse, é preciso analisar o cenário esportivo americano de forma mais ampla. Os Estados Unidos possuem uma cultura esportiva extremamente consolidada em torno de quatro grandes ligas profissionais: a NFL (futebol americano), a NBA (basquete), a MLB (beisebol) e a NHL (hóquei no gelo). Essas modalidades dominam a atenção do público, a cobertura midiática e os investimentos publicitários há décadas.

O futebol, apesar do crescimento significativo da MLS (Major League Soccer) nos últimos anos e da presença de estrelas internacionais em clubes americanos, ainda ocupa uma posição secundária na hierarquia esportiva do país. Alguns fatores ajudam a explicar essa realidade:

  • Competição por atenção: o calendário esportivo americano é extremamente disputado. Em junho, a temporada da NBA está em sua fase decisiva (finais), e a MLB está em pleno andamento, dividindo a atenção do público.
  • Tradição cultural: o futebol não possui a mesma raiz histórica nos EUA que em países da América do Sul e da Europa. A cultura de acompanhar seleções nacionais em Copas do Mundo não é tão enraizada.
  • Formato do esporte: o ritmo do futebol, com jogos de 90 minutos e possibilidade de empate, contrasta com a preferência americana por esportes de alta pontuação e intervalos comerciais frequentes.
  • Fuso horário favorável, mas insuficiente: embora sediar o torneio elimine o problema de assistir jogos em horários inconvenientes, o simples fato de os jogos serem em solo americano não garante, por si só, a conversão de novos fãs.

O que a pesquisa revela sobre o público americano

O dado de que menos de 30% dos adultos americanos se interessam pela Copa do Mundo não é exatamente inédito em sua essência. Pesquisas anteriores, realizadas em edições passadas do torneio, já apontavam um engajamento modesto do público americano com o evento.

No entanto, a expectativa de muitos analistas era de que sediar a competição pudesse mudar esse cenário de forma mais expressiva. A Copa de 1994, última vez em que os EUA receberam o Mundial, registrou recordes de público nos estádios e é frequentemente citada como um marco para o crescimento do futebol no país. Mais de 30 anos depois, porém, o esporte ainda luta para se consolidar como uma paixão de massa entre os americanos.

É importante ponderar alguns aspectos sobre esse tipo de pesquisa:

  • Interesse declarado versus comportamento real: muitas vezes, grandes eventos esportivos acabam atraindo audiência mesmo entre pessoas que não se declaravam interessadas previamente. A atmosfera de Copa do Mundo, com jogos em cidades americanas, bandeiras nas ruas e cobertura massiva da mídia, pode gerar um efeito de engajamento espontâneo.
  • Perfil demográfico: os EUA possuem uma das maiores comunidades de imigrantes latinos do mundo. A população hispânica, que tem forte ligação cultural com o futebol, pode representar um público engajado que nem sempre é capturado de forma proporcional nesse tipo de levantamento.
  • Efeito seleção nacional: o desempenho da seleção dos Estados Unidos no torneio pode ser um fator decisivo. Se o time americano avançar nas fases iniciais e protagonizar jogos emocionantes, o interesse tende a crescer exponencialmente, como já ocorreu em edições anteriores.

Impactos para a organização e para a FIFA

Para a FIFA, o dado acende um sinal de atenção, mas dificilmente representa uma ameaça concreta ao sucesso comercial do evento. A Copa do Mundo de 2026 já bateu recordes em termos de venda de ingressos e acordos de patrocínio, e a demanda internacional por bilhetes — de torcedores de diversas seleções que devem viajar aos EUA, México e Canadá — é altíssima.

Ainda assim, a organização precisa considerar estratégias para maximizar o engajamento local:

  • Fan Fests e eventos gratuitos: a criação de áreas de transmissão pública em grandes cidades americanas pode atrair curiosos e novos fãs.
  • Parcerias com influenciadores e atletas locais: envolver figuras conhecidas do esporte americano na promoção do evento pode ajudar a alcançar públicos que normalmente não acompanham futebol.
  • Cobertura midiática acessível: garantir que os jogos sejam transmitidos em canais abertos e plataformas de fácil acesso é fundamental para ampliar a audiência.

Vale lembrar que a Copa de 2026 terá um formato expandido, com 104 partidas no total — um aumento significativo em relação às 64 partidas das edições anteriores. Isso significa mais jogos, mais dias de competição e, consequentemente, mais oportunidades para capturar a atenção do público americano ao longo das semanas.

Um olhar para o futuro do futebol nos EUA

O crescimento do futebol nos Estados Unidos é inegável quando observado em uma perspectiva de longo prazo. A MLS se expandiu de forma consistente, clubes como Inter Miami, LAFC e Atlanta United atraem grandes públicos, e a participação de jovens americanos no futebol organizado é uma das maiores do mundo.

A Copa de 2026 representa uma oportunidade histórica para acelerar esse processo. Mesmo que o interesse prévio seja inferior a 30%, o impacto de vivenciar um Mundial em casa — com estádios lotados, cobertura intensa e o orgulho de representar o país anfitrião — pode deixar um legado duradouro para o esporte no país.

Historicamente, países-sede tendem a experimentar um aumento no interesse pelo futebol após receber grandes competições. Foi assim com a Coreia do Sul em 2002, com a África do Sul em 2010 e com a Rússia em 2018. Os Estados Unidos têm tudo para seguir esse mesmo caminho, especialmente se a seleção americana apresentar bom desempenho em campo.

Conclusão

O dado de que menos de 30% dos americanos se interessam pela Copa do Mundo 2026 é revelador, mas não deve ser interpretado de forma isolada. O futebol ainda enfrenta desafios culturais nos EUA, porém o torneio pode ser exatamente o catalisador que o esporte precisa para conquistar novos corações no maior mercado esportivo do planeta. Com o início da competição previsto para 11 de junho, as próximas semanas serão decisivas para medir o real impacto do Mundial em solo americano. Acompanhe nosso blog para ficar por dentro de todas as análises e novidades sobre a Copa 2026!

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