Copa 20265 min de leitura·29 de julho de 2026

Quem são os Kushner, aliados de Trump ligados à venda de ações da Fifa

Entenda quem é a família Kushner, a criação da FIFA Forward Enterprise e a polêmica sobre a entrada de capital privado na governança do futebol mundial.


Fifa anuncia a FIFA Forward Enterprise e busca investidores bilionários

A Fifa deu um passo inédito em sua história ao anunciar a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), uma empresa que reunirá os principais ativos comerciais da entidade máxima do futebol mundial. O objetivo declarado é ambicioso: atrair investidores privados para levantar mais de US$ 10 bilhões, valor que, segundo a Fifa, seria destinado ao desenvolvimento do futebol em escala global.

A proposta representa uma mudança estrutural na forma como o futebol é financiado e administrado em nível internacional. Em vez de depender exclusivamente de receitas de patrocínios, direitos de transmissão e taxas de competições, a Fifa passaria a contar com aportes de capital privado — algo que levanta tanto expectativas quanto preocupações significativas.

Entre os nomes que surgiram como potenciais investidores está a Thrive Eternal, companhia fundada por Joshua Kushner. E é justamente a proximidade da família Kushner com o poder político nos Estados Unidos que transformou o tema em uma discussão que vai muito além do esporte.

Quem são os Kushner e qual a conexão com Trump

Para entender a dimensão política da questão, é preciso conhecer a família Kushner. Joshua Kushner é um empresário e investidor norte-americano, fundador da Thrive Capital — firma de venture capital com sede em Nova York que já investiu em empresas como Instagram, Spotify e Slack — e da Thrive Eternal, veículo de investimento que teria manifestado interesse nos ativos comerciais da Fifa.

Joshua é irmão de Jared Kushner, que foi conselheiro sênior da Casa Branca durante o primeiro mandato de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos (2017–2021). Jared é casado com Ivanka Trump, filha do ex-presidente. Essa proximidade familiar direta com Trump coloca qualquer movimentação empresarial dos Kushner sob escrutínio político e midiático.

A família Kushner tem raízes no setor imobiliário — o pai, Charles Kushner, construiu um império de propriedades nos Estados Unidos — e, ao longo dos anos, diversificou seus investimentos para tecnologia, mídia e, agora, potencialmente, o esporte.

A presença de um nome tão ligado à política americana no cenário do futebol mundial levanta questões inevitáveis sobre influência geopolítica no esporte. Vale lembrar que a Copa do Mundo de 2026 será realizada justamente nos Estados Unidos, no Canadá e no México, o que torna a conexão entre capital americano e Fifa ainda mais sensível.

As críticas de Uefa, Federação Inglesa e outras entidades

A proposta da Fifa não foi recebida sem resistência. Entidades de peso no futebol mundial, como a Uefa (que governa o futebol europeu) e a Federação Inglesa de Futebol (FA), manifestaram preocupações significativas sobre o projeto.

As críticas se concentram em alguns pontos centrais:

  • Falta de transparência: Há questionamentos sobre como os termos da venda de participações seriam definidos, quem teria acesso às informações financeiras e como os lucros seriam distribuídos.
  • Governança do esporte: A entrada de investidores privados com poder de voto ou influência nas decisões da Fifa poderia alterar a dinâmica de governança do futebol, historicamente baseada no princípio de "um país, um voto" nas assembleias da entidade.
  • Conflitos de interesse: A proximidade de potenciais investidores com governos e figuras políticas levanta dúvidas sobre a independência das decisões esportivas.
  • Precedente perigoso: Críticos argumentam que, uma vez aberta a porta para o capital privado nessa escala, seria difícil reverter o processo, e o futebol poderia se tornar refém de interesses financeiros que não necessariamente se alinham com o desenvolvimento do esporte.

A Uefa, sob a liderança de Aleksander Čeferin (e, mais recentemente, com discussões sobre sua sucessão), tem historicamente se posicionado como um contrapeso à Fifa em questões de governança. A oposição europeia ao projeto da FFE segue essa tradição de vigilância institucional.

O que está em jogo para o futebol mundial

Para além das questões políticas, o debate sobre a FIFA Forward Enterprise toca em um dilema fundamental do esporte contemporâneo: como financiar o crescimento do futebol sem comprometer sua integridade e independência.

De um lado, defensores da iniciativa argumentam que o futebol precisa de investimentos massivos para se desenvolver em regiões onde ainda é incipiente — como partes da Ásia, América do Norte e Oceania. Os US$ 10 bilhões pretendidos poderiam financiar infraestrutura, programas de base, estádios e competições em países que hoje recebem pouca atenção.

Do outro lado, os críticos alertam que o modelo pode transformar o futebol em mais um ativo financeiro, sujeito às mesmas lógicas de maximização de lucro que já geraram controvérsias em ligas como a Premier League inglesa, onde a entrada de investidores de fundos soberanos e bilionários gerou debates intensos sobre a alma do esporte.

Existem precedentes que ilustram ambos os cenários:

  • Caso positivo: A entrada de investimentos no futebol americano (MLS) ajudou a liga a crescer significativamente em público, receita e qualidade técnica nas últimas duas décadas.
  • Caso controverso: A aquisição do Newcastle United pelo fundo soberano da Arábia Saudita gerou protestos de torcedores e organizações de direitos humanos, evidenciando os riscos do chamado sportswashing.
  • Caso de alerta: A criação da Superliga Europeia em 2021, liderada por clubes com forte presença de capital privado, foi amplamente rejeitada por torcedores e federações, mostrando os limites da aceitação do mercado financeiro no futebol.

O contexto da Copa de 2026 e o papel dos EUA

É impossível dissociar essa discussão do contexto da Copa do Mundo de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio deve ser o maior da história, com 48 seleções participantes, e representa uma oportunidade comercial sem precedentes para a Fifa.

A presença de investidores americanos — especialmente com conexões políticas — no capital da Fifa levanta a questão de até que ponto interesses comerciais e geopolíticos podem influenciar decisões sobre o formato, a distribuição de jogos e os contratos de transmissão do torneio.

Por enquanto, a Copa de 2026 segue em fase de preparação, e os detalhes sobre a FFE ainda estão sendo debatidos. Não há confirmação oficial de que a Thrive Eternal ou qualquer outro investidor tenha formalizado a aquisição de participações na empresa.

Conclusão: um debate que define o futuro do futebol

A criação da FIFA Forward Enterprise e o interesse de figuras como Joshua Kushner representam um momento de inflexão para o futebol mundial. O esporte mais popular do planeta está diante de uma escolha que pode redefinir sua estrutura de poder: abraçar o capital privado em larga escala ou preservar um modelo de governança mais tradicional.

As críticas de Uefa, Federação Inglesa e outras entidades mostram que o caminho não será simples. Transparência, prestação de contas e proteção da integridade esportiva precisam estar no centro de qualquer negociação. Acompanhar os desdobramentos desse processo é essencial para quem se importa com o futuro do futebol — dentro e fora de campo.

Continue acompanhando nosso blog para ficar por dentro das principais movimentações do futebol mundial, bastidores da Copa de 2026 e análises aprofundadas sobre os rumos do esporte.

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