CBF lança projeto "26 Ruas" e resgata origens dos convocados
A CBF criou o projeto 26 Ruas, com livro e curta-metragem que revisitam os bairros onde os convocados da Seleção começaram no futebol. Saiba tudo.

CBF lança projeto "26 Ruas" e resgata as origens dos convocados para a Copa 2026
A poucos dias da estreia do Brasil na Copa do Mundo de 2026, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) apresentou uma iniciativa que vai além dos gramados e mergulha nas raízes dos 26 jogadores convocados para o Mundial. O projeto "26 Ruas" é composto por um livro e um curta-metragem que percorrem os bairros, vielas e campos de várzea onde cada atleta deu os primeiros chutes na bola.
A produção conta com direção de Ulisses Neto e fotografias de Sam Robles, profissionais reconhecidos por trabalhos que valorizam narrativas humanas e culturais. O resultado é um material audiovisual e editorial que reforça a conexão histórica entre o futebol de rua brasileiro e a formação dos talentos que representam o país no maior palco do futebol mundial.
O que é o projeto "26 Ruas"
O conceito por trás do "26 Ruas" é relativamente simples, mas extremamente poderoso: revisitar os locais de origem de cada um dos 26 convocados da Seleção Brasileira — e também do técnico Carlo Ancelotti — para contar suas histórias antes da fama, dos contratos milionários e dos holofotes internacionais.
Cada capítulo do livro e cada sequência do curta-metragem são dedicados a um jogador. As equipes de produção visitaram bairros em diferentes estados do Brasil, registrando paisagens, entrevistando moradores, familiares e primeiros treinadores. O objetivo é mostrar o cenário real onde esses atletas cresceram: as ruas de terra, os campos improvisados, as traves feitas de chinelo, as peladas debaixo de sol escaldante ou sob chuva.
A inclusão da trajetória de Carlo Ancelotti, técnico italiano à frente da Seleção, adiciona uma camada interessante ao projeto. Ao percorrer também as origens do treinador — nascido em Reggiolo, na Itália —, a CBF amplia o escopo da narrativa e reforça que o futebol, independentemente do país, é moldado por vivências comunitárias e pela paixão cultivada desde a infância.
Um resgate da identidade do futebol brasileiro
O Brasil sempre foi reconhecido mundialmente como o país do futebol de rua. Pelé começou jogando com bolas de meia em Bauru. Garrincha driblava nas ladeiras de Pau Grande. Romário cresceu no Jacarezinho. Essas histórias fazem parte do imaginário coletivo do futebol nacional e ajudam a explicar por que o estilo brasileiro é tão singular — criativo, improvisado, ousado.
O projeto "26 Ruas" busca atualizar essa narrativa para a geração atual. Em tempos de categorias de base cada vez mais profissionalizadas e de jovens sendo recrutados por clubes europeus ainda na adolescência, resgatar as origens populares dos convocados é uma forma de lembrar que, por trás de cada jogador de elite, existe uma comunidade, uma família e uma história de superação.
Por que esse tipo de iniciativa importa
Projetos como o "26 Ruas" cumprem um papel que vai além do marketing institucional da CBF. Eles têm impacto em pelo menos três dimensões relevantes:
1. Humanização dos atletas
Em uma era dominada por redes sociais, contratos publicitários e transferências astronômicas, é fácil perder de vista o lado humano dos jogadores. Ao mostrar de onde eles vieram — muitas vezes de contextos de vulnerabilidade social —, o projeto aproxima os torcedores dos atletas e gera identificação genuína. O menino que joga descalço na rua de um bairro periférico pode se ver representado na trajetória de um convocado.
2. Valorização das comunidades de origem
Quando uma equipe de filmagem profissional visita um bairro para contar a história de um jogador da Seleção, aquela comunidade ganha visibilidade. Moradores que contribuíram para a formação do atleta — seja o vizinho que organizava as peladas, o professor de educação física da escola pública ou o treinador de escolinha — recebem reconhecimento. Isso fortalece o senso de pertencimento e orgulho local.
3. Preservação da memória do futebol de rua
O futebol de rua está em transformação no Brasil. A urbanização acelerada, a redução de espaços públicos para lazer e a profissionalização precoce das categorias de base estão mudando a forma como as novas gerações se relacionam com o esporte. Documentar essas origens é, portanto, um ato de preservação cultural. O "26 Ruas" funciona como um registro histórico de um modelo de formação que, embora esteja se transformando, ainda é responsável por revelar muitos dos maiores talentos do futebol mundial.
O contexto da Copa do Mundo de 2026
O lançamento do projeto acontece em um momento estratégico. A Copa do Mundo de 2026, sediada nos Estados Unidos, México e Canadá, será a primeira com 48 seleções participantes, em um formato expandido que promete ser o maior Mundial da história.
Para o Brasil, o torneio carrega expectativas elevadas. A Seleção busca reconquistar o protagonismo em Copas do Mundo após campanhas que ficaram abaixo das aspirações nas edições recentes. Sob o comando de Carlo Ancelotti, um dos treinadores mais vitoriosos da história do futebol europeu, a equipe chega ao Mundial com a missão de unir experiência tática europeia à criatividade e ao talento individual que sempre marcaram o futebol brasileiro.
Nesse cenário, o "26 Ruas" funciona como um elemento de coesão e motivação. Ao relembrar cada jogador de suas raízes, o projeto pode contribuir para fortalecer o espírito de grupo e a identidade coletiva da equipe — fatores intangíveis, mas historicamente decisivos em competições de alto nível.
Direção artística e qualidade da produção
A escolha de Ulisses Neto para a direção e de Sam Robles para a fotografia sinaliza que a CBF investiu em qualidade artística para o projeto. Produções esportivas que combinam storytelling de alto nível com apuro estético têm ganhado espaço nos últimos anos, influenciadas por documentários de sucesso em plataformas de streaming.
O formato de curta-metragem é particularmente interessante para a distribuição digital. Vídeos de menor duração tendem a ter maior alcance em redes sociais e plataformas de vídeo, o que pode amplificar o impacto do projeto junto ao público jovem — justamente a faixa etária que mais consome conteúdo audiovisual online.
Já o livro complementa a experiência com profundidade. As fotografias de Sam Robles, registrando os cenários reais das origens dos jogadores, oferecem um material de consulta permanente e um objeto de valor cultural que transcende o contexto imediato da Copa.
Conclusão
O projeto "26 Ruas" é uma iniciativa que merece atenção não apenas dos torcedores da Seleção Brasileira, mas de todos que reconhecem o futebol como fenômeno cultural e social. Ao revisitar as origens dos convocados para a Copa do Mundo de 2026, a CBF entrega mais do que um produto institucional: oferece um retrato sensível e necessário da relação entre o futebol de rua e a formação de talentos no Brasil. Em tempos de espetacularização do esporte, voltar às ruas onde tudo começou é um gesto de respeito à história e à essência do futebol brasileiro.
Se você se interessa por histórias que vão além dos resultados em campo, acompanhe nosso blog para mais conteúdos sobre a Seleção Brasileira, os bastidores da Copa 2026 e o universo do futebol nacional.
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