Seleção5 min de leitura·17 de junho de 2026

Josimar vê carência nas laterais da Seleção de Ancelotti: "Problema muito sério"

Melhor lateral da Copa de 1986, Josimar critica falta de opções nas laterais da Seleção Brasileira e alerta Ancelotti sobre problema grave. Confira a análise.


Josimar vê carência nas laterais da Seleção de Ancelotti: "Problema muito sério"

Considerado o melhor lateral-direito da Copa do Mundo de 1986, no México, Josimar é uma voz autorizada quando o assunto é a posição que marcou sua carreira. Em entrevista recente, o ex-jogador demonstrou preocupação genuína com a falta de opções de qualidade nas laterais da Seleção Brasileira comandada por Carlo Ancelotti e classificou a situação como um "problema muito sério" para o treinador italiano.

A declaração reacende um debate que já vem ganhando corpo entre analistas e torcedores: o Brasil, historicamente celeiro de grandes laterais ofensivos, vive uma escassez de especialistas na posição. Josimar foi além e criticou a necessidade recorrente de improvisar zagueiros pelos lados do campo, algo que, na visão dele, compromete tanto a solidez defensiva quanto a capacidade de criação pelas faixas laterais.

A escassez de laterais: um problema estrutural

A preocupação de Josimar não é isolada. Nos últimos ciclos da Seleção Brasileira, diferentes treinadores enfrentaram dificuldade para encontrar laterais que combinassem qualidade defensiva e poder ofensivo — características que historicamente definiram os grandes nomes da posição no futebol brasileiro.

Nomes como Cafu, Roberto Carlos, Mauro Silva, Daniel Alves e Marcelo elevaram o padrão da posição a um nível que se tornou referência mundial. No entanto, a geração atual não conta com jogadores que se firmem de maneira incontestável nas laterais da Seleção. A rotatividade na posição tem sido uma constante, e a solução de improvisar zagueiros como laterais — recurso que diversos clubes brasileiros e europeus também adotam — é vista por Josimar como um sintoma de um problema mais profundo.

Por que improvisar zagueiros é arriscado?

Quando um zagueiro é deslocado para a lateral, geralmente se ganha em marcação e jogo aéreo, mas se perde em:

  • Profundidade ofensiva: zagueiros tendem a avançar menos e com menor frequência, reduzindo as opções de ataque pelos flancos.
  • Qualidade nos cruzamentos: a habilidade de cruzar em velocidade, com precisão, é uma especialidade que laterais desenvolvem ao longo de toda a formação.
  • Dinâmica tática: o jogo moderno exige laterais que participem da construção, se projetem como alas e voltem para compor a linha defensiva — um conjunto de movimentos que exige treino específico.
  • Entrosamento posicional: a comunicação com o ponta e o volante do mesmo lado é diferente para um lateral de ofício e para um zagueiro adaptado.

Para Carlo Ancelotti, que construiu sua carreira em clubes europeus de elite priorizando equilíbrio tático e jogadores em suas posições naturais, essa carência pode representar um desafio significativo na montagem do time para a Copa do Mundo de 2026.

Josimar e a memória afetiva do futebol brasileiro

Além da análise sobre o cenário atual, Josimar aproveitou para relembrar com carinho momentos marcantes de sua trajetória. O ex-lateral destacou a conquista da Copa América de 1989, torneio no qual o Brasil encerrou um jejum de títulos na competição continental. Josimar ressaltou a felicidade de ter contribuído para levar alegria ao torcedor brasileiro naquela ocasião, reforçando o papel emocional que a Seleção desempenha na vida dos fãs de futebol.

Na Copa de 1986, Josimar encantou o mundo com dois gols antológicos — contra a Irlanda do Norte na fase de grupos e contra a Polônia nas oitavas de final — ambos com chutes potentes de fora da área que se tornaram icônicos. Sua atuação naquele Mundial é lembrada até hoje como um dos grandes momentos individuais de um lateral em Copas do Mundo.

A homenagem de Vozinha: o legado que atravessa gerações

Um dos aspectos mais curiosos e emocionantes abordados por Josimar é sua ligação com Vozinha, goleiro da seleção de Cabo Verde que se tornou uma das sensações da Copa do Mundo de 2026. O arqueiro cabo-verdiano recebeu o nome de Josimar em homenagem ao ex-lateral brasileiro, evidenciando o alcance e a influência que o futebol brasileiro exerce em diferentes partes do mundo, especialmente nos países lusófonos.

Cabo Verde disputa sua primeira Copa do Mundo em 2026, e a presença de Vozinha — batizado em homenagem a um ídolo brasileiro — simboliza a ponte cultural que o esporte constrói entre nações. Para Josimar, saber que seu nome e sua história inspiraram um atleta que hoje brilha no maior palco do futebol mundial é motivo de enorme orgulho.

O desafio de Ancelotti para a Copa de 2026

A Copa do Mundo de 2026, que está sendo realizada nos Estados Unidos, México e Canadá, representa o maior desafio da carreira de Carlo Ancelotti à frente da Seleção Brasileira. O treinador italiano, amplamente reconhecido por suas conquistas em clubes — incluindo múltiplos títulos da Liga dos Campeões —, precisa encontrar soluções para as lacunas apontadas por Josimar e outros analistas.

Entre os pontos que Ancelotti deve gerenciar estão:

  1. Definir titulares para as laterais que ofereçam tanto segurança defensiva quanto contribuição ofensiva.
  2. Integrar o sistema tático de forma que as limitações individuais sejam minimizadas pelo coletivo.
  3. Preparar alternativas para diferentes cenários de jogo, já que adversários de alto nível costumam explorar justamente os flancos como ponto de ataque.
  4. Equilibrar experiência e juventude, buscando jogadores que suportem a pressão de uma Copa do Mundo.

A opinião de Josimar carrega peso não apenas pela sua história como jogador, mas também pela lucidez com que analisa o futebol atual. Quando alguém que viveu a posição no mais alto nível aponta uma fragilidade, é prudente que comissão técnica e dirigentes levem o alerta a sério.

Conclusão

A declaração de Josimar sobre a carência de laterais na Seleção Brasileira joga luz sobre um problema que vai além de uma simples escolha de escalação — trata-se de uma questão estrutural que envolve formação de base, valorização da posição e planejamento a longo prazo. Para Ancelotti, o desafio é encontrar, dentro do elenco disponível, a melhor combinação possível para que o Brasil seja competitivo na Copa de 2026. A história do futebol brasileiro nas laterais é riquíssima, e a esperança é que novos nomes surjam para honrar esse legado. Acompanhe nosso blog para ficar por dentro de todas as análises e novidades sobre a Seleção Brasileira e a Copa do Mundo de 2026.

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