Seleção5 min de leitura·10 de junho de 2026

Laterais: uma dor de cabeça para Ancelotti na Seleção Brasileira

O Brasil chega à Copa de 2026 com escassez de bons laterais. Entenda por que a posição virou problema para Ancelotti e quais são as opções disponíveis.


Laterais: uma dor de cabeça para Ancelotti na Seleção Brasileira

Historicamente, a lateral foi uma das posições mais férteis do futebol brasileiro. De Cafu e Roberto Carlos a Daniel Alves e Marcelo, o país sempre exportou jogadores de altíssimo nível para as duas faixas do campo. No entanto, a Seleção Brasileira chega às vésperas da Copa do Mundo de 2026 com um cenário bem diferente: a escassez de laterais de elite se tornou um dos maiores desafios para o técnico Carlo Ancelotti.

A lesão de Wesley, justamente o jogador que apresentava o perfil mais ofensivo entre as opções testadas, agravou ainda mais a situação. O problema não é novo, mas ganha contornos de urgência com o Mundial se aproximando.

A tradição brasileira na lateral e o contraste atual

Poucos países no mundo produziram tantos laterais de referência quanto o Brasil. Na conquista do pentacampeonato em 2002, Cafu e Roberto Carlos formavam uma dupla que combinava solidez defensiva com capacidade ofensiva descomunal. Nos anos seguintes, Maicon, Daniel Alves e Marcelo mantiveram o padrão elevado, sendo protagonistas em seus clubes europeus e peças fundamentais na Seleção.

Esse legado criou uma expectativa permanente de que o Brasil sempre teria laterais de classe mundial à disposição. Porém, a geração atual não conseguiu manter o mesmo nível. Não se trata de ausência total de jogadores — há nomes atuando em ligas competitivas — mas de uma carência de atletas que reúnam, ao mesmo tempo, qualidade técnica, capacidade de projeção ofensiva e confiabilidade defensiva no mais alto patamar.

Ancelotti, desde que assumiu o comando da Seleção, testou diversas combinações nas laterais. Jogadores foram convocados, avaliados em amistosos e partidas oficiais, mas nenhum se firmou de maneira definitiva como titular incontestável. Essa rotatividade, embora possa ser vista como busca por soluções, também revela a falta de uma opção que se imponha naturalmente.

O impacto da lesão de Wesley e as opções restantes

A perda de Wesley por lesão representou um golpe significativo nos planos de Ancelotti. Entre os laterais avaliados ao longo do ciclo, Wesley era quem mais se aproximava do perfil histórico dos laterais brasileiros: um jogador com vocação ofensiva, capaz de dar profundidade pelo corredor e participar ativamente da construção de jogadas.

Sem ele, o elenco fica ainda mais limitado em termos de alternativas que ofereçam esse componente ofensivo. As opções remanescentes tendem a apresentar um perfil mais conservador, o que pode impactar diretamente o estilo de jogo da Seleção. Em um futebol moderno no qual os laterais funcionam quase como alas — participando tanto da fase defensiva quanto da criação — ter jogadores com alcance limitado na frente pode ser um fator restritivo.

Alguns cenários possíveis que Ancelotti pode considerar:

  • Adaptação tática: utilizar um esquema que não dependa tanto da projeção dos laterais, concentrando a criação no meio-campo e nos pontas.
  • Laterais improvisados: escalar jogadores que atuam originalmente em outras posições, como meio-campistas ou zagueiros com boa saída de bola, para cobrir as faixas.
  • Aposta em jovens: dar oportunidade a laterais que ainda não tiveram muitas chances na Seleção, mas que vêm se destacando em seus clubes.
  • Sistema com três zagueiros: uma formação com alas ao invés de laterais tradicionais, o que mudaria completamente a dinâmica defensiva e ofensiva do time.

Cada uma dessas alternativas traz riscos e benefícios. A adaptação tática pode funcionar bem contra adversários de menor expressão, mas pode ser insuficiente contra seleções que pressionam alto e exploram os corredores. Já a improvisação de jogadores tende a gerar desencaixes que adversários bem preparados podem explorar.

Um problema estrutural do futebol brasileiro?

A discussão sobre a escassez de laterais na Seleção vai além da convocação de Ancelotti e toca em questões mais profundas da formação de jogadores no Brasil. Nos últimos anos, observadores e analistas têm apontado que as categorias de base brasileiras vêm produzindo menos laterais de alto nível em comparação com décadas anteriores.

Alguns fatores podem explicar essa tendência:

  • Mudança no perfil de formação: muitos clubes brasileiros priorizam a formação de atacantes e meio-campistas, posições com maior valor de mercado para exportação.
  • Exigências táticas crescentes: o lateral moderno precisa ser praticamente um jogador completo — defender, atacar, cruzar, combinar em espaços curtos e ter resistência física excepcional. Esse perfil multifuncional é mais difícil de desenvolver.
  • Saída precoce de talentos: jovens laterais promissores frequentemente são vendidos muito cedo para o exterior, nem sempre encontrando espaço para se desenvolver adequadamente em seus novos clubes.

Essa não é uma exclusividade brasileira. Outras grandes seleções também enfrentam dificuldades pontuais em determinadas posições. Porém, dado o histórico do Brasil na lateral, o contraste é mais evidente e a cobrança, naturalmente, maior.

O que esperar para a Copa de 2026

Com o Mundial previsto para acontecer nos Estados Unidos, México e Canadá, Ancelotti ainda tem algum tempo para definir suas escolhas, mas a janela é cada vez mais estreita. As últimas convocações antes do torneio serão decisivas para que o treinador italiano defina quem ocupará as vagas de lateral no elenco final.

A expectativa é que Ancelotti utilize os próximos compromissos da Seleção para fazer os últimos testes e consolidar suas opções. A experiência do italiano em gerenciar elencos de elite no Real Madrid e em outros grandes clubes europeus pode ser um trunfo na hora de encontrar soluções criativas para o problema.

É importante lembrar que grandes treinadores frequentemente transformam limitações em virtudes táticas. Se Ancelotti conseguir montar um sistema que minimize a dependência dos laterais como armas ofensivas, o Brasil pode chegar competitivo ao Mundial mesmo sem contar com nomes de destaque na posição.

Conclusão

A questão dos laterais na Seleção Brasileira é um reflexo de uma mudança geracional no futebol do país. Onde antes havia abundância, hoje há escassez — e a lesão de Wesley só evidenciou um problema que já vinha se desenhando. Ancelotti terá de usar toda a sua experiência e criatividade tática para encontrar soluções que mantenham o Brasil competitivo na Copa de 2026. Para os torcedores, resta acompanhar de perto as decisões do treinador e torcer para que as escolhas feitas se provem acertadas dentro de campo.

Continue acompanhando nossas análises sobre a Seleção Brasileira e a preparação para a Copa do Mundo de 2026. Compartilhe este artigo com outros apaixonados por futebol e deixe sua opinião nos comentários: qual lateral você gostaria de ver convocado?

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